+55 51 3714-7047

Como calcular o capital de giro da minha prestadora de serviços?

como calcular o capital de giro

Você sabe que sua empresa deve ter capital de giro para se manter, já que essa é uma das regras mais básicas do empreendedorismo. Mas sabe como calcular o capital de giro bruto e líquido? É importante conhecer esse cálculo e entender a diferença entre os tipos de capital, pois são coisas diferentes e não se resumem aos valores que o negócio tem em caixa.

Além disso, também é necessário saber administrar o capital porque mesmo uma situação financeira tranquila pode ser afetada por práticas ruins de gestão financeira.

Então, veja agora como calcular seu capital e confira quatro dicas para cuidar bem dele.

Como calcular o capital de giro líquido?

Somar disponibilidades e contas a receber

A soma do que a empresa possui e do que tem a receber no curto prazo resulta no ativo circulante, que pode ser facilmente encontrado na escrituração contábil do negócio. Porém, se por algum motivo não for possível consultá-la no momento, ou se os registros não estiverem exatos, o responsável pode calcular o ativo circulante com seus controles financeiros internos.

Para isso, basta somar o que há disponível e a receber ainda dentro do mês em questão. Por exemplo:

  • saldo da conta bancária X: R$ 10.500;
  • saldo da conta bancária Y: 5.200;
  • saldo em caixa: R$ 1.700;
  • recebíveis do mês atual: R$ 4.300;
  • ativo circulante: R$ 21.700.

Em primeiro momento, esse é o capital de giro que a prestadora tem. Porém, além do capital bruto é preciso ter um capital líquido depois de cobrir as obrigações para que a manutenção do funcionamento do negócio não seja colocada em risco. Então, seguiremos com os cálculos.

Elencar as obrigações e apurar o capital líquido

As obrigações de curto prazo são o total do passivo circulante, também facilmente identificado  na contabilidade — especificamente no Balanço Patrimonial. Mas, se for preciso, também há como calcular o passivo manualmente, somando todas as obrigações a serem pagas no mesmo período do ativo circulante já conhecido.

O único requisito para isso é que contas como fornecedores, impostos, folha de pagamentos e outras estejam tão bem controladas e registradas quanto recebíveis, caixa e contas bancárias, de preferência em um fluxo de caixa.

Agora que você já sabe como calcular o capital de giro bruto, ou consultá-lo, pode também apurar o capital líquido, desde que o ativo circulante tenha superado o passivo. Esse valor ajuda a manter a empresa com as portas abertas, tendo saúde financeira, e com possibilidades de investir em expansão e/ou melhorias.

Como gerenciar o capital de giro?

Ter atenção aos recebimentos a prazo

Esse cuidado é essencial para que os cálculos acima não gerem resultados errados, que afetam a tomada de decisão do responsável.

Por exemplo, se o negócio cobrar R$ 2 mil de um cliente, e emitir a nota fiscal nesse valor, mas for receber o serviço em quatro vezes, não pode ter o total de R$ 2 mil lançado no fluxo de caixa nem nas receitas da contabilidade. Precisa lançar apenas a parte recebida no mês em seu fluxo, além de munir o contador de informações para que ele escriture corretamente os recebimentos — gerando relatórios contábeis exatos.

Um registro errado, para o exemplo acima, poderia gerar uma diferença de R$ 1.500 a mais nos resultados de capital bruto e líquido. Tal situação facilita problemas financeiros pois permite que falte dinheiro para pagar as obrigações, ou fazer um investimento planejado, e isso apenas seja constatado somente no momento da falta.

Projetar o fluxo de caixa

Tão importante quanto registrar um fluxo contínuo é projetá-lo para evitar situações de risco, se precaver em casos que não podem ser evitados e planejar com antecipação as ações para momentos favoráveis.

Portanto, as despesas fixas e variáveis precisam ser projetadas e registradas, junto ao faturamento. Isso deve ser feito a partir de contas a pagar e receber cujos valores já são conhecidos, enquanto contas com valores ainda não conhecidos devem ter valores médios atribuídos.

Depois disso resta calcular os saldos para se ter uma visão do cenário financeiro da empresa no curto prazo, e então planejar ações para o negócio estar preparado para aproveitar um bom momento ou reverter um quadro negativo.

Conciliar os ritmos de pagamentos e recebimentos

Mesmo quem tem muitos clientes pode se ver em uma situação ruim ao calcular o capital de giro se receber os serviços majoritariamente a prazo e pagar todas as contas à vista, incluindo fornecedores de materiais e ferramentas. Isso porque as entradas podem não suprir as saídas de cada semana, mesmo que em valores totais os recebíveis esperados sejam  maiores que as obrigações do curto prazo.

É claro que algumas contas não podem ser parceladas, como o imposto mensal, salários, energia elétrica e aluguel, mas as que podem têm de ser parceladas, se for o caso, para se efetivarem no mesmo ritmo dos recebimentos.

Por outro lado, se quase todo o faturamento ocorrer à vista, a conciliação pode ser da forma contrária no intuito de a empresa ter pequenos descontos e capacidade de negociação pagando à vista.

Financiar o negócio, quando preciso, com dinheiro próprio

Empréstimos e financiamentos de bancos comerciais cobram altas taxas de juros e, por isso, devem ser tidos como últimas opções para levantar um capital maior necessário pontualmente. A melhor forma de financiar algo, ou reverter a falta de capital, é com dinheiro próprio da empresa — em operações como adiantamento de recebíveis.

Para quem aceita pagamentos via cartão de crédito é possível adiantar recebíveis com a empresa que fornece o meio de pagamento online ou a máquina de cartões, operação que normalmente apresenta juros mais baixos que empréstimos bancários. Já para o prestador que emite boletos a negociação pode ser feita com os clientes diretamente, mas nesse caso os descontos precisam ser relevantes e interessantes para os sacados.

Essas opções podem aliar o não pagamento de juros altos ao fato de o negócio não contrair dívidas. E ambas as possibilidades são positivas para a saúde financeira empresarial.

Outra boa prática que ajuda o empreendimento a não ter problemas de capital é a precificação correta de serviços para cobrir as despesas e gerar lucro. E podemos ajudá-lo nesse sentido com outro conteúdo que criamos especialmente para o assunto. Leia como calcular o preço do serviços corretamente em quatro passos.

Scroll Up